Sobre tecnologia, realidade e um futuro que já chegou

26 Dec 2016

Enquanto temos gente sofrendo para se adaptar à era digital, muita gente já está vivendo o que chamam da era pós digital.

 

 Como fazer parte deste mundo, mesmo tendo nascido em outro?

 

Falar que o mundo está mudando soa hoje como falar que a terra é redonda... Já se vão 60 anos desde a criação da Lei de Moore, quando Gordon Moore (então CEO da Intel) identificou um padrão em que a relação preço - desempenho da computação dobraria a cada 18 meses (tudo bem documentado desde 1971), e hoje já sabemos que isso está aplicado totalmente à qualquer tecnologia da informação (provado por estudos que avaliaram esta relação desde 1900).

 

Um estudo da University of Southern California (em 2011), mostrou que cada um de nós recebe diariamente uma quantidade de informações equivalente a 174 jornais – cinco vezes mais informações do que recebíamos em 1986. E tem gente querendo dar conta disso tudo á “moda antiga”!

 

Além do avanço da tecnologia dos transistores e da popularização da internet que foram grandes evoluções para isso, a universalização da mobilidade colocou tudo isso nas mãos de pessoas mais diversas espalhadas por toda parte.

 

 

Em um artigo na Time Magazine (2012), o futurólogo Ray Kurzwell apontou que “uma criança na África com um smartphone tem acesso a mais informações que o Presidente dos Estados Unidos 15 anos atrás.”  Além de mais eficiente e mais barata, a tecnologia se tornou mais amigável e simples de ser usada por todo mundo, o que conecta com muita eficiência e agilidade as mais diversas formas de conhecimento espalhadas pelo planeta.

 

Mas como cada um cidadão comum, pode fazer parte disso e não apenas ser engolido por esta realidade? A primeira coisa, é não se fechar a esta nova era que não tem volta. Por mais que sejamos saudosistas com muita coisa que valorizamos do tempo que até a TV era difícil e restrita, tratar com desdém quem gosta das facilidades que a tecnologia traz só cria barreiras que o afasta ainda mais de todos os benefícios que se pode obter dela.

 

Estas pessoas provavelmente se assustaram ao perceber empresas que nasceram sem grandes investimentos em “ativos” e em pouquíssimo tempo valiam milhões. Ou acham estranho o Uber ser a maior empresa de “taxis” do mundo sem ter nenhum carro, entre outros exemplos. Tem gente que não está preparado pra sua profissão ser extinta, por exemplo... Abel Linares, um ex-executivo sênior do Terra, afirmou em 2014 em evento sobre futuro em Madri que“70% das crianças que hoje estão indo às creches, quando crescerem trabalharão em profissões que ainda não foram inventadas. […] É necessário mudar nossa forma de pensar”.

 

 

Infelizmente ainda vejo pais pedindo pros filhos saírem da internet, empresas restringindo as redes sociais e gente apanhando pra fazer buscas no Google ou salvar seus arquivos na nuvem... Não percebem que o mundo já está conectado e que fazer parte disso não é mais uma opção!

 

Tiago Mattos, na minha visão o maior estudioso sobre futuro do Brasil (e que vale muito a pena ser ouvido e seguido), afirma que “a revolução da internet já passou e, agora, o futuro aponta para uma integração cada vez maior entre homens e tecnologias”.

 

Muitas novidades a pouco tratadas como ficção científica já estão se tornando populares e precisam ser entendidas para ter seu potencial explorado ao máximo. Um líder precisa criar oportunidades, não embarcar no mainstream...

 

 

Como aproveitar então as oportunidades sobre realidade virtual e aumentada, computação cognitiva, big data, impressão 3d, inteligencia artificial, robótica, nanotecnologia, internet das coisas, biotecnologia, etc? Tudo isso já é realidade agora em 2016 e irá mudar a vida de muita gente em um futuro bem próximo... Mas se não sabe algo sobre algumas dessas coisas, não se assuste. No Google e no Youtube você encontra muita informação disponível pra se inteirar.

 

Quando falamos de inteligência artificial, por exemplo, em 2014 pela primeira vez em 65 anos um computador passou no Teste de Turing. Este teste foi criado em 1950 para medir a “inteligência” de uma máquina, para o seguinte questionamento “se um computador pudesse pensar como nós pensamos, ele conseguiria nos enganar ao ponto de pensarmos que estamos nos comunicando com um humano, e não um protótipo?”. Para conquistar a marca em 2014, Eugene (o adolescente de 13 anos simulado pelo computador) precisava convencer um mínimo de 30% dos juízes de que estavam falando com um humano, mas foi eficaz em 33% dos avaliadores.

 

Desde 2014 quando a Associated Press, uma das maiores agências de notícias do mundo, anunciou que adotava um sistema para escrever notícias sobre bolsa de valores sem interferência humana, foi seguido por outras agencias que falavam desde esportes á economia, provando que muito do que fazemos hoje precisa ser repensado.

 

 

Os negócios também têm muito a comemorar com todas estas mudanças, pois no passado quem tinha acesso à tecnologia era quem dominava o mercado e as empresas grandes ficavam cada dia maiores. Hoje, sistemas e equipamentos são baratos, acessíveis e fáceis de usar. Ferramentas eficientes simplificam muito a gestão (planejamento e controle), as redes sociais aproximam de verdade a empresa do cliente (mesmo que estejam em lados opostos do mundo), permitem uma comunicação personalizada e cirúrgica e tornam o relacionamento com fornecedores mais preciso e eficiente, dentre muitas outras muitas vantagens. Claro que tudo isso exige uma gestão e segurança da informação bem cuidadosa e um olhar de reinvenção do marketing que tira o foco da massa para o indivíduo e do investimento para a criatividade.

 

No livro “Organizações Exponenciais”, de Salim Ismail e Yuri van Geest, fica claro o quanto toda esta evolução permite às empresas escalarem seus negócios rapidamente aproveitando a evolução exponencial da tecnologia. E o quanto é importante a mudança de modelo mental, já que muitos especialistas tem errado feio em suas previsões e os impactos da era atual não podem ser absorvidos em uma organização que pensa linearmente.

 

O Filósofo Pierre Levy apontou em  1990 que "a tecnologia está presente na nossa cultura e deve ser potencializada", e cabe a cada um de nós perceber que nosso desenvolvimento pessoal está diretamente relacionado à entender o uso da tecnologia deve ser efetivo, que inovação e tecnologia andam juntas, que as inovações ocorrem em rede e desterritorializadas e que o mundo virtual e o real não existe mais separação. Para Levy, a existência do virtual potencializa a inteligência coletiva e possibilita a cibercultura, uma revolução no modo como as pessoas aprendem, trabalham e se relacionam.

 

 

Cada um de nós precisa estar atento e aberto para aproveitar todas as vantagens que isso pode nos trazer. Depois do Google, por exemplo, ninguém dorme mais com dúvida. E podemos dedicar nosso cérebro para pensar e não mais para armazenar coisas que precisam ser lembradas. E não preciso de uma ligação cara pra falar com alguém querido que está distante fisicamente.

 

Com este olhar, fica claro o quanto a tecnologia só aproxima as pessoas e não o contrário, como afirmam alguns que não se adaptaram a esta realidade que fazemos parte. As mudanças são um fato que continuarão exponencialmente aceleradas e cada um de nós precisa querer ser protagonista delas, pois enquanto você lia este artigo, muita coisa já mudou...

 

Espero que você também!

 

Um abraço

 

Allan Cabral Pimenta

 

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