Como reinventar a roda?

Atualizado: Set 8


Por todo lado, só se vê que o profissional de hoje precisa ser inovador, criativo e quebrar padrões. E realmente muita coisa vem mudando, novidades vem surgindo gerando transformações de modelo mental, de vida e de exercício das profissões. Muitas vezes então, as pessoas saem desesperadamente em busca de ideias diferentes como se a busca do sagrado. E aí começa uma grande confusão.


A primeira parte da confusão é que nem se sabe ao certo que está buscando... Uma ideia? Algo criativo? Uma inovação? Nem se para pra pensar que estas são coisas diferentes. A ideia é uma coisa, criatividade é outra e inovação é outra.


Enquanto a ideia (ainda não me acostumei com o corretor me dizendo que a palavra acentuada está errada... que inovação chata...) surge da sua imaginação e habita somente seu campo mental, mesmo que verbalizada a outra pessoa. Ideias habitam o campo das ideias...

Ainda se ouve muito que "fulano roubou minha ideia", mas na era pós-digital, as ideias não têm dono. Não servem para nada enquanto estão somente lá no campo das ideias.


Já a criatividade é a capacidade de gerar valor às ideias, transformando-as em alguma coisa mais palpável e aplicável. Ken Robinson em Libertando o poder criativo (recomendadíssimo), nos diz que "ser criativo não é somente uma questão de inspiração: requer habilidade e critério no uso de recursos e um processo de avaliação crítica".


Gosto também do conceito que ouvi do Murilo Gun, humorista e professor de criatividade: “Criatividade é uma habilidade básica da espécie humana que pode ser treinada e estudada, e cuja utilidade é resolver problemas através da combinação de ideias”. Realmente combinar coisas de universos aparentemente desconexos é a base de toda a inovação de hoje.


Mas e a inovação então? É diferente?


A inovação é quando as ideias realmente ganham vida e são colocadas em prática. É a criatividade a serviço da solução clara de um problema real e com pessoas dispostas a adotá-la. Já ouvi que inovação é a capacidade da criatividade de gerar receita ($$$).

E é isso que as empresas tanto buscam nos profissionais de hoje. Alguém com capacidade real de resolver problemas reais, de forma criativa, mas com a criatividade gerando valor. Estes são os profissionais que tanto se falam por aí, que correm o risco de fazer algo diferente do convencional e colocar as ideias para trabalhar. Para Thiago Mattos, fundador da escola de Criatividade Perestroika, "inovação é vencer o medo e correr riscos".


Mas o título do texto leva a entender que vou aprender a reinventar a roda... Trazer a próxima novidade disruptiva... Como então reinventar a roda?


Para reinventar a roda, existe um método que precisa ser cuidadosamente seguido. O primeiro passo é saber com muita clareza qual o problema que te leva a querer reinventar a roda? Muito mais importante que saber como reinventar a roda é saber “PORQUE REINVENTAR A RODA?”.


Depois que encontrar claramente o problema a ser solucionado, trabalhar em função dele, e não em função da reinvenção da roda em si. A criatividade com fim em si mesma só produz perda de tempo, dinheiro e energia. A criatividade para se tornar uma inovação realmente relevante precisa trazer à sua “roda reinventada” atributos de uso mais prático, útil e eficiente. Não apenas uma versão “moderninha” que só gera frustração no uso.


O terceiro passo é vender sua ideia que já evoluiu para inovação. As pessoas precisam saber que a nova roda realmente é útil e vai melhorar a vida delas e principalmente, que está ao seu alcance. Demonstrar com clareza o valor gerado, e as pessoas adotarem o novo padrão é o que torna realmente aquela ideia inovadora.

Um passo que não é exatamente um passo, mas um ponto importantíssimo em todos os passos anteriores e que muita gente ignora, mas tem impacto relevante é o seguinte. Para criar um novo padrão, é imprescindível dominar com muita maestria o padrão atual. Realmente tem muita gente tentando reinventar a roda sem saber como a roda surgiu, como ela funciona, quais são suas fragilidades, quais as necessidades, desejos e anseios de quem a usa.... Enfim.... Não dominaram o padrão e tentar criar outro sem isso só irá gerar perda de recursos desnecessários.


Como viram, não ensinei o passo a passo detalhado para reinventar a roda, até porque eu mesmo não a reinventei e nem pretendo, pois na minha lista de assuntos prioritários ela está lá longe. Acho que a roda como é hoje bem eficiente, barata e prática. Mas o mais importante é saber que criatividade não é um dom divino e pode ser desenvolvido e aplicado para gerar inovações em qualquer área, desde que os esforços realmente estejam concentrados na solução de problemas reais das pessoas.



Só sair por aí tendo ideias mirabolantes não te tornam criativo e nem inovador. Ser criativo tem a ver com visualizar possibilidades e ser inovador tem a ver com aplicar a criatividade para resolver problemas reais. Observem que pessoas que inovam com coisas simples são muito mais valorizadas que aqueles cientistas que criam milhares de coisas que ninguém quer comprar. Pense nisso...




Allan Cabral Pimenta

Visite também: https://www.facebook.com/AcpDesenvolvimentodelideres/


  • Grey Facebook Icon
  • Grey Instagram Icon
  • Grey Blogger Icon
  • Grey LinkedIn Icon
  • Grey YouTube Icon