Mudar ou ser mudado? Eis a questão...

Atualizado: Set 7

O mundo muda desde que o mundo é mundo. Porém, estas mudanças vêm acontecendo de forma exponencial, cada vez mais aceleradas e nos exige uma flexibilidade e adaptabilidade cada dia maior, sendo que biologicamente nosso cérebro está preparado apenas para sobreviver. E isso envolve ter medo do diferente e rejeitar o que não se tem controle.



Neste sentido, muitas de nossas verdades podem simplesmente deixar de existir de um dia para o outro. Frederico Porto em seu livro “Antecipe o inevitável”, afirma que “nunca foi tão verdadeira a nossa condição de ‘metamorfose ambulante’. Na velocidade dos dias de hoje, muitas verdades são questionáveis”. Daí a necessidade de buscar se antecipar a isso, como expõe bem Jack Welch no seu livro Paixão por Vencer: "Você precisa mudar, de preferência antes de ser foçado a mudar"


Mas de que tipo de mudanças estamos falando? Mudanças dentro de nós? Mudanças em nossos hábitos? Mudanças da empresa? Na vida social? Na cultura? No mundo? Pois todas elas vêm acontecendo ao mesmo tempo e sem nosso controle, uma acaba impactando a outra. E só cabe a nós termos a cabeça aberta para as novas verdades, anteciparmos o que acreditamos que será necessário mudar e ter disciplina para incorporar novos hábitos, pois como diria Aristóteles, “Nós somos o que repetidamente realizamos”.



Estas mudanças de hábito não são fáceis, mas são possíveis como descreve bem Charles Duhig em O Poder do Hábito. Segundo seus estudos, os bons hábitos são tão difíceis de serem incorporados quanto os hábitos ruins são duros de serem abandonados, daí entender como nossas rotinas funcionam em nossos cérebros e então, com consciência e disciplina, mudar aquilo que não funciona em sua vida e gerar as transformações necessárias para alcançar o sucesso.


Entender este mecanismo de formação de um hábito (pesquise aí sobre deixa, rotina e recompensa) é a chave para tornar o novo hábito algo rotineiro e automático. Exige esforço. Mas com foco, consciência e auto-coaching é muito mais possível que a maioria acredita.



As mudanças dos próprios hábitos são os primeiros passos para encarar com maior facilidade as mudanças externas: na cultura, família, empresa, sociedade, etc. Com estas mudanças, percebemos que aquelas verdades absolutas não passam de crenças limitantes que dificultam a caminhada e tendo consciência delas, podemos assimilar as demais e nos anteciparmos ao invés de esperar uma crise para mudar (e tem gente que nem na crise muda). Ricardo Amorim, o consultor que foi o homem mais influente do Brasil no Linkedin em 2016 reforça que “nunca desperdice uma crise para fazer as mudanças que precisam ser feitas”.


Para se preparar para as mudanças, é importante ter sempre o cuidado de ter uma visão o mais realista possível dos fatos (otimismo e pessimismo em excesso atrapalham muito), colocar foco naquilo que você tem controle, ter muita organização e produtividade para a mudança não ser só mais uma tarefa que não cabe em sua rotina e principalmente, a proatividade de liderar as mudanças.



E esta proatividade pode ser vivida, por exemplo, liderando as mudanças na sua empresa, quando você irá levar a mudança para as pessoas, colocando ênfase nas vantagens da mudanças e ás conectando ao olhar da equipe (no que isso faz sentido com o propósito de cada pessoa?). Muitos programas de gestão da mudança que vejo nas companhias são apenas planos de comunicação (que é importantíssima e precisa ser clara, sincera e direta para garantir o perfeito entendimento), mas deveria ser algo bem mais complexo e cuidadoso que isso. E permeando toda a hierarquia, e envolvendo a estratégia, a cultura, a estrutura, os processos e as pessoas. Somente com todos estes pontos alinhados, os resultados são mesmo efetivos.


Acredita-se muito que as mudanças são “sabotadas” pela média gerência (ainda resquícios das reengenharias que só visavam a redução de custos), quando na maioria das vezes é a alta direção que acaba com medo dos impactos das mudanças na cultura, na marca ou mesmo nos negócios. Mas não percebem que o maior risco é não mudar.

O líder, independentemente da posição hierárquica, deve tomar as rédeas de tudo isso, mapeando e cuidando de todos os impactos da mudança, tornando as mudanças coerentes aos olhos de todos e demonstrando coragem e otimismo motivar as pessoas a saírem de sua zona de conforto. Pesquisas recentes mostram que os gestores de comportamento orientado para o desenvolvimento de pessoas focadas em viver cenário de constante transformação eram mais eficazes, e portanto com maior empregabilidade.


As mudanças nas empresas não são fáceis e nem rápidas e as pessoas precisam estar envolvidas em todo o processo, pois são elas quem efetivamente efetivarão estas mudanças. Estimular nelas a vontade de mudarem a si mesmas, e mostrar o senso de urgência que o mundo exige hoje são importantes para que as transformações necessárias não sejam apenas sonhos. Ou pesadelos...


O papel do líder neste cenário é o de ser o patrocinador da mudança. Aquele que acredita nela, está presente em todas as suas etapas, dá visibilidade à todas as suas vantagens e riscos, alinhas as expectativas, capacita as pessoas para as novas habilidades necessárias, mostra quais são os valores que estarão consolidados ao fim da mudança e cuida para mitigar o maior risco do processo: o “sempre foi assim”.


Assim, independente se está liderando uma mudança na empresa ou si mesmo, os cuidados são bem parecidos. Ou se está pensado se é o momento ideal pra mudar, basta ver se já começou a se acomodar ou a se incomodar, tomando também o cuidado pra não mudar apenas por mudar. A mudança tem que ser um processo natural que faz parte da vida, e a evolução pessoal e profissional passa por liderar mudanças de cada vez maior complexidade, visibilidade e importância.


O que você está esperando pra começar a mudar?


Abraços

Allan Cabral Pimenta



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